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29 de dezembro de 2025
A Fundação Brigitte Bardot, criada pela própria, anunciou a sua morte em comunicado, exprimindo a sua “imensa tristeza” pelo desaparecimento daquela “que escolheu abandonar a sua prestigiada carreira para dedicar a sua vida e energia à defesa dos animais”.
A atriz de “E Deus… criou a mulher” e “O Desprezo” morreu na manhã deste domingo na sua célebre residência de La Madrague, em Saint-Tropez, informou a fundação à AFP.
No local, o caminho de terra batida, ladeado por bambus, que conduzia à vivenda estava bloqueado por um veículo da gendarmaria, constatou um jornalista da AFP.
“A gente a via com frequência”, “eu a observava passar e, quando ela estava de bom humor, ela nos mandava beijos”, disse Nathalie Dorobisze, uma moradora de Saint-Tropez de 50 anos, em lágrimas. “É estranho ela não estar mais aqui, porque ela sempre esteve presente.”
La Madrague era um símbolo de Brigitte Bardot e, aliás, dava nome à marca de moda que lançou.
Na mesma rede social, Marine Le Pen, líder do Rassemblement National, com o qual Brigitte Bardot não escondia a sua proximidade, prestou homenagem a uma “mulher incrivelmente francesa: livre, indomável, inteira”.
Nos últimos anos, Brigitte Bardot, que encarnou a libertação dos costumes na França dos anos 50, destacou-se sobretudo pelas suas declarações sobre política, imigração, feminismo e caçadores, algumas das quais lhe valeram condenações por injúria racial.
“A liberdade é sermos nós próprios, mesmo quando isso incomoda”, proclamava, em tom de bravata, como epígrafe de um livro intitulado “Mon BBcédaire”, lançado no início de outubro.
Antes de dar que falar pelas suas tomadas de posição, a mulher conhecida pelas iniciais B.B. foi nada menos do que um mito.
O mito de uma mulher liberta dos códigos morais, de vestuário, amorosos e sexuais e… do que dela se esperava. Uma mulher que “não precisava de ninguém”, como Serge Gainsbourg a fez cantar em 1967, conhecida tanto em Cannes como nas praias brasileiras.
Brigitte Bardot, a primeira personalidade a emprestar os seus traços ao busto de Marianne, foi uma espécie de Marilyn Monroe à francesa, loura como ela, de beleza explosiva e vida privada tumultuosa, perseguida pelos paparazzi.
Francis Huster, que contracenou com Bardot em 1973, saudou em declarações à AFP: “B.B. e Marilyn, estou certo de que as suas duas estrelas formam a mais bela dupla do céu.”
Marilyn era “uma mulher que foi explorada, que ninguém compreendeu e que, aliás, acabou por morrer por isso”, recordava Bardot, que a conheceu em 1956.
Um erro que não repetiria, ao retirar-se aos 39 anos, deixando para trás cerca de 50 filmes e duas cenas que entraram para o panteão da Sétima Arte: um mambo febril num restaurante de Saint-Tropez (“E Deus… criou a mulher”, 1956) e um monólogo em que enumerava, nua, as diferentes partes do seu corpo, na abertura de “O Desprezo” (1963).
“Ninguém descreveu melhor Bardot do que o escritor François Nourissier”, reagiu, em declarações à AFP, o antigo presidente do Festival de Cannes, Gilles Jacob: “um equilíbrio instável entre o capricho e a danação”. Pierre Lescure, outro ex-presidente do festival, prestou homenagem à sua “beleza louca e como que nova, absoluta e atrevida”.
Nada predestinava a jovem Brigitte a este destino: nascida no seio de uma família burguesa parisiense em 1934, apaixonou-se pela dança e experimentou a carreira de manequim. Com apenas 18 anos, casou-se com o seu primeiro amor, Roger Vadim, que lhe confiou o papel de Juliette em “E Deus… criou a mulher”, obra que abalou a ordem estabelecida e lhe colou a etiqueta de sex symbol. Perante o sucesso do filme, sucederam-se as rodagens, incendiou paixões e queimou-se sob os holofotes.
Em 1960, no auge da fama, deu à luz um rapaz, Nicolas, o seu único filho, sob o olhar inquisidor da imprensa. Alegando não ter instinto maternal, a atriz deixou que o marido, Jacques Charrier, criasse o filho.
Mais tarde, casou-se com o milionário alemão Gunter Sachs e, depois, com o industrial Bernard d’Ormale, próximo da Frente Nacional.
Focas-bebê
Tornou-se então outra Bardot, figura da causa animal. O ponto de viragem deu-se durante a rodagem do seu último filme, “L’histoire très bonne et très joyeuse de Colinot trousse-chemise” (1973), quando se deparou com uma cabra que comprou e instalou no seu quarto de hotel.
Defesa dos elefantes, oposição aos abates rituais, à tourada e ao consumo de carne de cavalo… a luta estava apenas a começar.
Em 1977, foi à banquisa para alertar para o destino das focas-bebê, numa sequência amplamente mediatizada que fez capa da Paris Match e lhe deixou recordações amargas.
O essencial da sua segunda vida decorreu longe dos olhares, no sul, entre La Madrague e uma segunda residência, mais discreta, La Garrigue. Era ali que acolhia animais em risco e geria a fundação com o seu nome, criada em 1986.
Uma estrutura que continuou a beneficiar da imagem glamorosa dos seus primórdios. A marca de moda homônima Brigitte Bardot Paris, apresenta coleções modernas inspiradas nas silhuetas dos anos 60 e 70. A empresa que desenvolve a marca reverte assim uma parte das suas receitas para a Family Trademark TLM, sociedade detentora dos direitos exclusivos da marca Brigitte Bardot à escala mundial, que financia a Fundação Brigitte Bardot. A ex-atriz tinha também uma marca de lingerie, Brigitte Bardot Lingerie.
Em maio, numa entrevista à BFMTV, afirmou querer “paz e natureza” e viver “como uma agricultora”. No outono, foi hospitalizada para uma intervenção cirúrgica cuja natureza não foi revelada.
Evocando a morte, avisou que queria evitar a presença de “uma multidão de idiotas” no seu funeral.
Com AFP
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