
Publicado em
7 de janeiro de 2026
As ações da C&A registraram forte queda de 15,71% na sessão da última segunda-feira (5), encerrando o pregão a R$ 10,46 e liderando as perdas do Ibovespa, conforme dados do InfoMoney. O movimento ocorreu após a empresa sinalizar a analistas de mercado que as vendas nas mesmas lojas (SSS) no quarto trimestre de 2025 ficaram próximas de zero, bem abaixo da expectativa de crescimento entre 4% e 5%.
Desde 27 de novembro de 2025, os papéis acumulam desvalorização de cerca de 44%, revertendo parte relevante dos ganhos obtidos ao longo do ano passado.
Apesar do tombo recente, a C&A havia encerrado 2025 com valorização acumulada de 77%. Em 2026, contudo, o cenário se inverteu: os papéis já acumulam queda de 16%, a mais acentuada entre os componentes do principal índice da Bolsa brasileira. No terceiro trimestre de 2025, o indicador de vendas em mesmas lojas da companhia havia crescido 8,1%, após avanço de 18,9% no ano anterior, enquanto a expansão das vendas de mercadorias desacelerou de 16,1% para 4,8%, sinalizando perda de fôlego.
Segundo informações do Brazil Journal e do Valor Econômico, a empresa atribuiu o desempenho mais fraco à antecipação de liquidações, a uma Black Friday mais promocional, ao menor fluxo em shoppings e ao aumento da competição no setor.
O movimento acabou contaminando outras varejistas, como Lojas Renner e Vivara, que também fecharam o pregão em queda. Para os analistas da Genial Investimentos, em matéria ao InfoMoney, “apesar da queda exagerada das ações, o guidance de SSS reflete pressão persistente no varejo discricionário, com consumo enfraquecido e agressividade promocional podendo erodir as margens”.
O UBS BB destacou, em matéria ao InfoMoney, um ambiente “mais competitivo e duro” no período, enquanto Leandro Siqueira, sócio-fundador da Varos Research, avaliou que um SSS próximo de zero no quarto trimestre é um sinal preocupante. “A economia brasileira parece estar esfriando muito mais rápido do que imaginam”, afirmou.
Em relatório recente, o JPMorgan já apontava uma temporada de Natal fraca para o varejo, em linha com dados da Confederação Nacional do Comércio, que indicaram crescimento modesto de 2% nas vendas natalinas, reforçando a cautela dos analistas quanto ao desempenho do setor enquanto os juros permanecerem em patamares elevados.
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