
O texto abaixo foi originalmente publicado no site The Conversation, que tem como objetivo disseminar o conhecimento acadêmico e científico de maneira acessível. Publicamos a tradução na íntegra do texto escrito pelas autoras, acadêmicas e pesquisadoras responsáveis pelo estudo – que com certeza vai interessar a você, leitora do Dia de Beauté!
A menopausa costumava ser um tema tabu em muitos lugares. Mas, agora, está constantemente nos noticiários. Em março último, a Casa Branca divulgou uma iniciativa para estimular novas pesquisas sobre a saúde das mulheres na meia-idade. Em maio, a Senadora Patty Murray apresentou um projeto bipartidário que visa investir US$ 275 milhões para melhorar os cuidados nessa fase da vida da mulher.
A atriz Halle Berry foi ao Capitólio para ajudar a chamar a atenção para a medida e, durante seu discurso, chegou a gritar: “Estou na menopausa.” Esse novo foco e um ambiente mais aberto para falar sobre o assunto estão ocorrendo ao mesmo tempo em que estudos científicos destacam os benefícios da terapia hormonal para tratar os sintomas do climatério.
Nós três acreditamos que discussões públicas sobre o evento que marca o fim da fase reprodutiva da mulher já deveriam ter sido feitas há muito tempo. Escrevemos e lecionamos sobre discriminação no emprego, envelhecimento e a lei – e também sobre feminismo.
Nos unimos para escrever um livro sobre a menopausa e a lei, estamos acompanhando de perto as mudanças na forma como os pesquisadores avaliam os benefícios do tratamento hormonal e o que isso significa para a vida das mulheres.
Noções básicas sobre a menopausa
Tecnicamente, a menopausa é um momento no tempo. Normalmente, ela começa 12 meses após o último ciclo menstrual, marca o fim da fertilidade e ocorre entre os 45 e 55 anos de idade. Ela é precedida pela perimenopausa, uma fase de transição durante a qual a menstruação muda, mas continua, e isso pode durar até uma década.
Quem já passou pela menopausa fica na pós-menopausa pelo resto da vida. Ela resulta da diminuição de estrogênio e progesterona pelo corpo, dois hormônios produzidos pelos ovários. Em longo prazo, a perda de estrogênio também afeta a densidade óssea, o sistema cardiovascular e outras partes do corpo.
O fenômeno também pode ocorrer de forma precoce e abrupta, como após a remoção cirúrgica dos ovários.
A cada ano, mais de 2 milhões de americanas chegam à menopausa, enquanto milhões de outras experimentam a perimenopausa em um determinado momento.
Embora a idade média do climatério seja 51 anos, há variações raciais, étnicas e de renda. À medida que a expectativa de vida aumenta, metade da população feminina pode passar um terço de suas vidas na pós-menopausa.
Em particular, as mulheres negras tendem a entrar na menopausa mais cedo do que as brancas. Seus sintomas, como ondas de calor, são mais agudos e duram mais tempo. Infelizmente, elas têm menos probabilidade de receber atendimento médico para tratamento do que as brancas.